img - Akita – o posicionamento correto das orelhas

Akita – o posicionamento correto das orelhas


Perguntam-me se há uma medida padrão para a distância entre as orelhas e quando podemos considerar que a orelha de um exemplar é caída.  Seria pela implantação baixa do pavilhão auricular?

Respondo que, conforme o padrão, as orelhas devem ser "relativamente pequenas, grossas, triangulares, ligeiramente arredondadas na extremidade, inseridas moderadamente separadas e inclinadas para a frente".  Comentando, já se afirmou que "a orelha correta é aquela que, quando se traça uma linha perpendicular saindo da ponta da orelha, atravessa o triângulo e chega ao meio da base dele";

Diz-se, ainda, que "as orelhas do Akita têm forma de um triângulo escaleno (triângulo com três lados desiguais), com as pontas ligeiramente arredonda-das.  Caso a inserção da orelha seja muito alta, a distância entre elas seria muito estreita.  Se a inserção for muito baixa dá-se o contrário, chamada Kanzashi mini (em japonês:  grampos ornamentais para cabelo).  Estas são as orelhas cujos pavilhões estão colocados lateralmente e não frontalmente e podem ser colocadas viradas para fora (orelhas de aeroplano)" 

Finalmente, que "lateralmente, a linha e ângulos da cabeça são muito importantes.  O ângulo da orelha é agudo em relação a uma linha horizontal.  O ângulo ideal é quase paralelo ao ângulo do pescoço.  Se o ângulo for muito amplo, as orelhas muito eretas, faltará concentração na expressão.  Por outro lado, se o ângulo for muito agudo, a expressão será apática e sem espírito." (conf. "Judging the akita" - publicação de World Union of Akita Clubs, p. 8 - tradução de Anita Soares e Nelson Crepaldi).

Como se vê, não existe uma medida padrão para a distância entre as orelhas tendo-se por referência, apenas, que elas devem ser moderadamente separadas, nem altas e nem baixas.  E pode-se afirmar que uma orelha é caída quando o ângulo for muito agudo, tendo-se, assim, por respondidos os quesitos.

E aí, você que me lê, agradece e pensa com seus botões "ora, pois, pois, ele mostra erudição, copia um monte de coisas e não diz nada de original que possa me ajudar. Leio o que escreveu uma, duas três vezes, olho para a cabeça desse akita aqui na minha frente e não consigo saber se a implantação das ore-lhas está certa ou errada.".

Quer saber de uma coisa?  Seu inconformismo teria fundamento se a resposta à indagação original parasse por aí.  Com efeito, essa colocação de ângulos abertos ou fechados, paralelas e outras coisas só esclarece os iluminados que mostram a fonte do conhecimento por meio de uma linguagem longe do alcance de nós, pobres mortais, e só bem entendida por eles mesmos.

Como não me incluo entre os iluminados, para não ficar apenas no que está escrito e que todo mundo pode ler (e não entender ou ter dificuldade para tanto), vamos tentar entender como se descobre que a inserção das orelhas de um akita está correta ou não, utilizando as diretrizes e esclarecimentos antes apontados.  E vamos ter que entrar na questão das retas, paralelas, ângulos ... 

Parta do que você vê porque o importante é a impressão geral que a cabeça dá.  Todavia, não perca a noção de que nem sempre o que você vê é o que se deve olhar para constatar se as implantações dos pavilhões auriculares estão conforme o estabelecido.  Para facilitar, tire duas fotografias: a primeira, só da cabeça, de frente, com o akita olhando a câmara.  A outra, do perfil da cabeça, esta última também incluindo o pescoço até a altura da cernelha.

Olhe a primeira foto.  Verifique que o akita tem um sulco frontal, nítido, sem rugas, no centro de testa larga, como diz o padrão. Siga os seguintes passos:

  1. Trace uma linha horizontal sobre a cabeça.
  2. Trace uma linha horizontal (paralela à superior) abaixo do focinho.
  3. Trace uma linha perpendicular pelo lado externo da cabeça do akita, to-cando no ponto mais extremo da cabeça;
  4. Faça o mesmo do outro lado
  5. Trace uma linha perpendicular, passando pelo sulco frontal e pelo centro da trufa (ponta do focinho ou narinas).
  6. Trace uma linha perpendicular passando pela ponta da orelha, atravessando a base do triângulo.
  7. Faça o mesmo com a outra orelha.
  8. Trace uma linha perpendicular passando pelo ponto de junção da orelha com a testa, entre as duas linhas já feitas.
  9. Faça o mesmo do outro lado.

Olhe agora a foto.  Você tem a cabeça do akita dentro de um retângulo dividi-do por cinco linhas, que devem ser paralelas e eqüidistantes.  Se uma das linhas não estiver eqüidistante, a orelha pode ser de inserção baixa (linha mais longe da central e mais próxima da borda - testa larga demais) ou alta (linha mais perto da central e mais longe da borda - testa estreita).

Vamos fazer um processo parecido com a fotografia da lateral da cabeça.  São apenas três passos:

  1. Trace uma linha passando pela ponta da orelha e por seu ponto de junção.
  2. Trace uma linha pela parte externa do pescoço, até a cernelha.
  3. Trace uma linha, na altura da cernelha,  onde se encontram as anteriores

Olhe a foto.  Se as linhas 1 e 2 forem quase paralelas, com ângulos na linha 3 quase iguais, a inserção está correta.  Se o ângulo for muito agudo, a orelha estará muito inclinada para a frente ( e não moderadamente ) pois as linhas não serão paralelas.  Neste caso, a orelha está caída.  Se o ângulo for muito aberto, as linhas não serão paralelas e pode-se dizer que a orelha está ereta (de pé).  Não se esqueça que as orelhas se mexem.  Cuidado para não tomar uma orelha correta por uma caída ou ereta por causa de fotografia não apropriada. 

É assim que os juizes procedem (ou deveriam faze-lo) quando olham a cabeça de um exemplar.  Traçam imaginariamente as linhas para determinar a adequação das orelhas às exigências do padrão, descobrindo se as inserções são altas ou baixas e se as orelhas são caídas ou eretas demais.  Outras linhas existem, como as dos olhos, as da cana nasal ... e são igualmente importantes.

Não se preocupe se houver algum desvio, desde que não acentuado. Não se prenda no ideal a ser encontrado pelas linhas.  Confie na impressão inicial vis-ta por seus olhos mais do que nas linhas traçadas.  Se a impressão transmitida pelo posicionamento das orelhas for boa, dificilmente a inserção não atenderá o padrão.  

E se você encontrar um akita que tenha as linhas perfeitas, por favor, me mande a foto com as linhas e o nome do exemplar.  Estou procurando um e não acho.  É isso.  Aquele abraço para quem fica e quem quiser que conte outra.

Marcos Sollero, Akiteiro, com muito orgulho.