Sobre O Akita

Sobre a raça


Originalmente, o akita era destinado à caça de grandes animais, entre os quais o urso,  e apenas com o caçador - nunca em matilha.  Tal fato, entre outros, o fez silencioso e arredio.  Acresça-se que, com a abertura do Japão ao comércio exterior no século passado, introduziu-se cruzamentos com outras raças para aumentar sua força e porte pois, na época, era utilizado na luta entre cães.  Esta a origem inicial da mesclagem com outras raças que, com outras cruzas entre as duas grandes guerras, gerou o chamado “akita americano”, hoje conhecido como grande cão japonês e que já foi considerado como o akita padrão durante várias décadas, no próprio Japão.

O akita dá bem poucos sinais.   Não late, não rosna, não costuma adotar posição de ataque e nem ao menos se dá ao trabalho de levantar, se estiver deitado, até ter a certeza de que, quando atacar, vai pegar seu alvo.  Apenas posiciona as orelhas e arrepia os pelos da cernelha – no máximo rosna, bem baixinho.  Por isso, é um excelente cão de guarda.  Não ameaça ou adverte pessoas ou outros cães, dando sinal do que vai fazer não se intimida - se impõe – e ai daquele que adentrar em seu território sem autorização ou sem estar acompanhado.  É claro que as atitudes podem variar de exemplar para exemplar mas, geralmente, é o que se observa.

Além disso, o akita é um intransigente defensor de seu território e, em geral, não admite partilha-lo, salvo com um exemplar de outro sexo.  Se dois exemplares do mesmo sexo forem colocados  em um dado território,  é quase certo que haverão de brigar e nenhum se deixará dominar – e a situação sempre vai se repetir.  Tenho referência de um amigo no sentido de que já ocorreu de o dono sair e dois machos conseguirem escapar de seus canis e entrarem em disputa física.  Quando o dono chegou, encontrou um morto e o outro, de tão ferido, teve de ser sacrificado.    Entre os akiteiros, corre a piada que para separar dois akitas, só com extintor de incêndio – para bater nas cabeças e desacordá-los.

Advirto, entre outras coisas, que, se alguém quer um akita, deve ter o cuidado de não criar situações em que o macho ou a fêmea estejam em um mesmo território com outro do mesmo sexo.  Se acontecer, não haverá aviso.  O Akita é um cão que precisa ser bem socializado e, mesmo assim, deve-se ter muita cautela.  É bom sempre desconfiar.

Em suma, respeito é bom e ele gosta.

Marcos Sollero, Akiteiro, com muito orgulho

Padrao da Raça

Não sujeito à prova de trabalho para Campeonato Internacional.

País de origem: Japão
Utilização: Cão de companhia, no sentido Oriental da palavra 
Classificação FCI: Grupo 5 -  Spitz e cães do tipo primitivo
Seção 5 - Spitz Asiáticos e raças assemelhadas

PADRÃO OFICIAL DA RAÇA

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Comentários sobre o padrão



Comentários sobre o Padrão Oficial da Raça

É comum ouvir na beira das pistas algumas “pérolas” sobre akitas, tais como (a) olha que cabeça “maaaaaaravilhosa”; (b) olha a altura da fêmea – baixinha – tem só “uns” 59 cm...; (c) o akita não precisa se movimentar bem; (d) engraçado aquele akita – ao mesmo tempo tem a “melhor” e a “pior” movimentação dos akitas no Brasil – a “melhor” porque tem uma excelente cobertura de solo e a “pior” porque isso não é movimentação de akita!!! (e) olha aquele akita – é muito “longo” perto dos outros e, por isso, se movimenta demais...

Pra não brigar, fico no meu canto, matutando – cabeça entra sozinha na pista?  É falta a altura de 59 cm. em uma fêmea? O akita precisa se movimentar lentamente e, quando rápido, ir aos “soquinhos”, “duro” ou “puladinho”, como se estivesse com o breque puxado?

Sempre defendi que os akitas devem ter excelente movimentação, rápida e potente, bem como ótima cobertura de solo, e que suas proporções são mais importantes do que a tipicidade de cabeça – e sempre fui criticado por aqueles que dizem que a movimentação da raça deve ser lenta por causa de suas angulações e a cabeça é prevalecente sobre tudo porque é ela que define a raça.

No meu sentir, o essencial não é a tipicidade de cabeça e nem a altura do cão, mas a relação entre a altura e comprimento – é notório que prefiro akitas que estejam perto da altura mínima (mantendo a importante relação altura x comprimento) a outros akitas com altura ideal, mas sem outras medidas tão ou mais importantes, como a profundidade do peito, jarretes, focinho e, principalmente, a importante relação de 10 x 11 - a única medida que impede o exemplar de conseguir a qualificação de excelente ou muito bom.

Com efeito, repetindo o anterior diploma, o artigo 48º. do atual regulamento de exposições é expresso ao determinar que:

  • Excelente - Qualificativo atribuído a um cão cujas características muito se aproximam da descrição do padrão oficial da raça, que se apresente em perfeito estado, cujas proporções obedeçam o item "Proporções Importantes" e ótima movimentação. A superioridade de suas qualidades com relação à raça dominará as suas pequenas imperfeições, sendo imprescindível exibir as características de seu sexo. 
  • Muito Bom - Qualificativo atribuído a um cão cujas características se aproximam da descrição do padrão oficial da raça, que se apresente em muito bom estado, cujas proporções obedeçam o item "Proporções Importantes" e muito boa movimentação. Pode ser atribuído a um cão que apresente leves defeitos, mas que tenha qualidade e não apresente problemas morfológicos.
  • Bom - Qualificativo atribuído a um cão cujas características se aproximam da descrição do padrão oficial da raça, mas apresente defeitos não desqualificantes. 

Assim, UM AKITA SEM A PROPORÇÃO IMPORTANTE DE 10 X 11 NÃO PODE SER QUALIFICADO COMO “EXCELENTE” ou “MUITO BOM”.  Por outro lado, nada impede que um segundo exemplar seja qualificado como excelente e ganhe a raça por suas demais características, mesmo que tenha a altura abaixo do mínimo porque a altura é uma falta que o árbitro pode considerar como uma “pequena imperfeição”.

Muitas injustiças seriam evitadas (inclusive no que diz respeito à movimentação dos “akitas voadores”) se as medidas fossem tomadas e o árbitro calculasse a relação altura x comprimento por meio de uma regra de três simples, onde o comprimento padrão está para a proporção de 11 assim como a altura encontrada na medição está para a proporção de 10, ou seja,

Comprimento padrão = altura encontrada vezes 11 dividida por 10

Outra forma de cálculo – some à altura encontrada 10% da medida, ou seja:

Comprimento padrão = altura encontrada x 1,10

Outro modo de se calcular o comprimento de um exemplar é

Comprimento padrão = altura encontrada + (10% da altura encontrada)

O uso da fórmula fica ao gosto do freguês porque o resultado será sempre o mesmo (é óbvio = 11 / 10 = 1,10 = 10 / 100 = 10%).  De minha parte, prefiro ir direto aos 10% a mais.  Vejamos

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Primeiro exemplar - macho

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Medições feitas pelo árbitro:

Altura na cernelha – 67 cm. (ideal prevista no padrão)
Comprimento – 71 cm.

Cálculo

Comprimento padrão = altura encontrada + (10% da altura encontrada) =
Comprimento padrão = 67 + (10% de 67) =
Comprimento padrão = 67 + 6,70
Comprimento padrão = 73,70 cm.
Comprimento medido = 71 cm

Resultado - Comprimento medido pelo árbitro é menor que o comprimento padrão.
Conseqüência - O exemplar não pode ser qualificado como excelente ou muito bom apesar de suas outras características.

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Segundo exemplar - macho

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Medições feitas pelo árbitro:

Altura na cernelha – 63 cm. (abaixo do mínimo de 64 cm.)
Comprimento – 69,30 cm.

Cálculo

Comprimento padrão = altura encontrada + (10% da altura encontrada) =
Comprimento padrão = 63 + (10% de 63) =
Comprimento padrão = 63 + 6,30 =
Comprimento padrão = 69,30 cm.
Comprimento medido = 69,30 cm.

Resultado – Comprimento medido pelo árbitro é igual ao comprimento padrão.
Conseqüência – O exemplar pode ser qualificado como excelente.

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Conclusão – Como é mais importante a relação entre a altura na cernelha e o comprimento do corpo, nada mais havendo que impeça o segundo exemplar de ser qualificado como excelente, ele não pode perder a raça para o outro macho que não se enquadra no item “proporções importantes”, mesmo que tenha uma cabeça “maaaaaaravilhosa”, p.ex.

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Repito – o regulamento de exposições não deixa margem a dúvidas, de forma tal que a apreciação subjetiva do árbitro sobre a tipicidade da cabeça  não pode prevalecer sobre o dado objetivo da proporção importante de 10 x 11.

A personificação do que digo foi vista em HATTEN GO OF HARAS KENNEL, enquanto freqüentou as pistas, pelos idos de 96/97.  Conquistou tudo que um akita podia com sua correta proporção; forte estrutura; movimentos amplos e potentes; impressionante cobertura de solo; tipicidade excepcional de cabeça.

Do alto dos seus 63 cm. na cernelha, foi o último dos grandes exemplares oriundo das primeiras linhagens importadas.  Imbatível, precedeu o início da importação de novos akitas no final da década de 90. Faleceu no início deste ano. A ele presto minhas homenagens, ainda que tardias.

É isso. Aquele abraço.

Marcos Sollero

FAQ - Perguntas Frequentes



Um adulto pesa entre 35 kg e 40 kg e a altura na cernelha mede entre 64 e 70cm para os machos e de 58 a 64 nas fêmeas.

O akita é um excelente guardião. Bastante territorialista e muito atento, não costuma latir mesmo quando percebe ameaça ao território. Sua função de guarda é exercida de forma eficiente e silenciosa. Se o seu akita latir, verifique: ele tem um bom motivo.



O akita possui "dupla pelagem". O pelo interior é bem denso, porém, bem mais macio que a pelagem exterior que costuma ter comprimento médio mas costuma ser dura e reta. 

A época mais crítica para a raça é a época da Muda, que acontece 2 vezes por ano. Nesta fase os cães perdem toda (ou quase toda) pelagem interior. A visão dos tufos de pelo chão é apavorante, mas com tempo o aspecto de urso volta ao normal.

Escovações semanais são sempre recomendadas. Quanto menos banhos, melhor.

Embora tenha uma aparência forte e que causa impacto, é um cão afetuoso, prudente e muito corajoso. É bastante tolerante com crianças, mas não muito sociável com adultos estranhos e com outros cães.